sexta-feira, 20 de julho de 2012

E no entanto, ela move-se

E no entanto, ela move-se!


Não sei se já repararam, mas desde o 25 de Abril que temos sido financeiramente guiados pela elite dos economistas. Todos eles Professores Universitários, com passagem por essa escola de economistas que parece ser o Banco de Portugal.

Nem assim o País tem uma economia saudável, que nos conduza a bom porto, e nos ofereça qualidade de vida, sem preocupações quanto ao futuro.

Entregues a tantos especialistas, como chegamos a este ponto, onde já nem temos a liberdade de decidir, antes estamos subordinados a um grupo económico que lucra com as dificuldades económicas dos Países financeiramente aflitos, traçando um rumo económico no mundo que lhes permita ganhar em vários tabuleiros simultaneamente.

Felizmente os meus conhecimentos de economia cingem-se ao velho Manual de Economia Política, de Martinez, pelo que livrei-me do contágio dos conceitos económicos em voga nos últimos trinta anos.

Talvez por causa dessa limitação, quando oiço os entendidos falar em empresas, em globalização, e na forma de mover a economia rumo à criação de riqueza, noto sempre que o homem é por eles olhado como mais uma peça de uma máquina, em vez de ser olhado como o verdadeiro e último destinatário da economia.

Substitui-se um homem com a mesma facilidade com que se troca de máquina industrial, a mesma facilidade que leva empresas a deslocar fábricas e contabilidades.

Na minha ingenuidade (só pode ser ingenuidade) pergunto-me quem produz riqueza. Serão as empresas? Os grupos financeiros? Ou será o Homem?

A empresa por si só, sem homens, produz alguma coisa? Como cria então riqueza?

E os grupos financeiros? Sem homens, como conseguem criar riqueza?

Não será a Economia um ciclo que se inicia com a mão-de-obra do Homem, produzindo os bens que os homens vão consumir, permitindo a expansão e a produção de novos produtos, em novos mercados, para mais homens consumirem, num ciclo nunca acabado, sempre em movimento, tendo como destinatário final o Homem, o mesmo que produz o bem e a riqueza?

Ao contrário do que esta revoada de ilustres economistas que nos têm gerido pensam, o consumo não é um mal, antes é uma necessidade. O consumo transporta consigo o pagamento de impostos indirectos e directos, paga as despesas dos meios produtivos e obtêm as mais valias que servem para novos investimentos.

Um pequeno exemplo, que não é mais do que isso.

Cortaram-se os subsídios de Férias e de Natal, como se aqueles fossem uma benesse desnecessária. Esqueceram-se que o clímax das vendas de automóveis coincide com Dezembro e Junho, exactamente por consequência directa desses subsídios. Resultado: o próprio Estado não cobra o Imposto de Circulação (o antigo IVVA, a que acresce o imposto anual de circulação); os vendedores de veículos não vendem, não pagam IVA e, ao não gerarem riqueza, pagam menos impostos; ao não vender, as marcas entram em dificuldades de gestão, despedem pessoal (primeira medida que estes crânios encontram para diminuir despesa), o que significa menos deduções para os regimes de assistência, mais despesa nos subsídios de desemprego, a que não é estranho ainda um acréscimo nas despesas de saúde.

Agora juntem-lhe ainda o peso das férias, com as despesas com Hotéis, Pensões e mercado de arrendamento; as despesas com Restaurantes, com alimentação e similares, mais as despesas com os concessionários das praias, que têm neste período a grande fonte de receita anual, quantas vezes o único período onde podem criar riqueza, e percebemos que os cortes não originaram uma poupança, antes criaram menos receita do Estado, maior despesa com Assistência Social e Saúde, e um risco acrescido na sustentabilidade de negócio. Colocados num prato de uma balança, alguém ousa dizer que o Estado saiu a ganhar com a medida?

Afinal não são apenas os mercados e a Economia que vive na era da globalização. Tudo é global, e um corte nos vencimentos repercute-se de forma estrondosa na economia.

Será que estes economistas de pacotilha percebem isto? Ou estarão tão convictos do que estudaram e aprenderam, que julgam que tudo não passa de uma mera crise que se supera com uns cortes na despesa? Se julgam, talvez fosse tempo de arrepiar caminho, porque estão redondamente enganados.

Afinal, não é só o Relvas que precisa de voltar à escola.

domingo, 3 de junho de 2012

Como se engana uma multidão

De tempos a tempos, assistimos à renovação dos ataques a esses malandros marginais, os fumadores.
Agora é um perfeito idiota, com o nível de Secretário de Estado da Saúde, quem se lembrou de propor a proibição de se fumar no interior dos veículos privados, sempre que nele esteja presente uma criança, como se não houvesse problemas sérios na saúde, em vez de perder tempo com birras e gostos pessoais.
Com um histórico de problemas do foro cancerígeno, e fumador de 2 maços por dia, efectuo exames radiológicos ao tórax periódicos. Em todos, os exames resultam nuns pulmões imaculados, com excepção da cicatriz de uma pleuresia.
Lendo as notícias e os "conselhos" da Direcção Geral de Saúde (cada vez mais parecida com o tenebroso acrónimo da PIDE/DGS), estranhei que os meus pulmões fossem tão alvos. questionei o médico e ele respondeu-me: "Isso é porque o senhor é fumador de boca". O quê, perguntei eu, ao que o médico respondeu que não travava o fumo, inalava e/ou aspirava e deitava fora o fumo, não o engolia.
Espere lá Dr. Isso quer dizer que não há fumadores passivos, retorqui.
Não, não há meu caro senhor. Uns senhores não gostavam do fumo do cigarro, porque os incomodava. Pagaram um estudo científico e publicaram-no. Mas para atingir o seu objectivo, era necessário conquistar a população para o seu lado, apresentar o fumador como um tremendo malfeitor que colocava a vida dos outros em risco. Se fizesse mal só ao fumador, ninguém se ralava com isso. Assim, com o apoio de uma população crédula e receptiva aos terríveis malefícios das doenças, conseguia deixar de ser incomodado.
Depois, os Laboratórios farmacêuticos entraram também na onda, porque viram que estava ali uma grande oportunidade de negócio, tanto maior quanto mais restritos fossem os direitos dos fumadores. Já reparou que os Laboratórios quando têm um produto com um escoamento difícil, logo surge uma kualkuer pandemia? Se soubesse o que os Laboratórios facturaram quando surgiu a primeira proibição, assustava-se. Foi um lucro exorbitante, da ordem dos milhões.
Ainda desconfiado e não convencido (alguém põe a hipótese dos médicos se envolverem em meandros tão negros?), consultei mais três médicos. Não é que todos me disseram o mesmo?
Depois, pensando na minha estadia em Amesterdão, lembrei-me das Coffee Shops, onde o pessoal se deleitava com doses individuais de Cannabis, e cheguei à conclusão que não havia mesmo fumadores passivos, ou então o pessoal é mesmo burro, pois se os houvesse, bastaria um comprar uma dose e todos fumariam cannabis.
Curiosamente, meu falecido Pai sofreu uma intoxicação provocada pelos fumos dos autocarros que chegava, paravam e partiam do Terminal da Rodoviária, na Av. Casal Garcia (que já não existe), apesar de estar em contacto diário com fumadores. Pois, mas os escapes dos carros não fazem mal, até porque não podemos impedir as pessoas de andar de carro, não é?
Já olharam para as paredes e para as gelosias das casas, sobretudo nas grandes urbes? E não faz mal? E é o tabaco que faz mal?
Incomoda? Sim, aceito que incomoda os mais sensíveis, tal como incomodam muitos cheiros, mas não mais do que isso.
Fumar pode provocar danos em quem fuma, mas definitivamente não provoca em quem está em volta de um fumador.Estudos científicos que provam isso, também não faltam. O que falta é eles receberem tanta publicidade como os outros.
Quanto à idiotice do SE da Saúde, estou mesmo a ver um agente à esquina a anotar a matrícula do veículo (o seu por exemplo, mesmo que não fume) e a enviar a multa para casa, ou mandar parar o veículo porque estava a fumar no interior do meu carro, pago por mim (preço e impostos), propriedade privada minha.. O condutor apaga o cigarro no cinzeiro, abre a janela e espera pelo agente. "Está autuado por estar a fumar com uma criança a bordo"; "Mas eu não estou a fumar"; "Porque apagou o cigarro. Eu vi."Pois, mas vai ter que provar que estava". Será a palavra de um contra a do outro e, na dúvida, não há Juiz que condene.
Mais uma Lei para chatear, sem interesse e sem aplicabilidade.
E é isto um SE da Saúde. Já percebi porque razão o Ministério está no fundo da lista. Com um Ministro que de Saúde pouco percebe (só se for de uma paralisia facial), que confunde investimento com despesa, já nada me surpreende.
Entretanto vou assistindo à população crédula e paciente, atrás de um kualkuer tocador de flauta.
Haja pachorra para tanto despautério.